AS QUATRO VISÕES SOBRE O FIM DOS TEMPOS: QUAL DELAS RESPEITA AS PALAVRAS DE JESUS?
O modo como você entende o fim dos tempos muda a sua fé hoje: ou você vive esperando uma catástrofe, ou vive construindo o Reino.
Por que isso importa
A escatologia é o estudo das últimas coisas. Parece assunto de especialista, mas ela define o que você espera do futuro e, por isso, como você vive agora. Quem espera um mundo condenado tende ao medo e à passividade. Quem entende que o Reino avança tende a servir, trabalhar e semear.
Jesus deu a base dessa esperança:
“E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.”Mateus 16:18 (NVI)
Apocalipse Desvendado: imersão racional no livro do Apocalipse, com exegese séria. Quero conhecer →
As quatro visões
Futurismo. Ensina que o Apocalipse e Mateus 24 ainda não se cumpriram: haverá uma grande tribulação, um anticristo mundial e o retorno de Cristo para reinar. Na versão dispensacionalista, a história se organiza em eras e há um arrebatamento antes da tribulação de sete anos. É a visão mais popular.
Historicismo. Lê o Apocalipse como um panorama da história da Igreja, do primeiro século até hoje. O ponto fraco é a subjetividade: cada geração encaixa os eventos na sua própria época.
Idealismo. Entende o livro como alegoria espiritual, sem cumprimento histórico específico. Ensina princípios verdadeiros, mas deixa de lado o contexto concreto das sete igrejas e de Jerusalém.
Preterismo parcial. Ensina que a maior parte das profecias sobre o “fim” se cumpriu no primeiro século, especialmente na destruição de Jerusalém em 70 d.C. A Segunda Vinda, a ressurreição e o juízo final continuam no futuro.
O que Jesus disse sobre o prazo
O teste mais simples é o do próprio texto. No sermão profético, os discípulos perguntam sobre o Templo, a vinda de Jesus e o fim da era, e Jesus responde com um prazo:
Um dia antes, ao condenar o sistema religioso que rejeitou os profetas, Ele já havia dito: “Eu lhes asseguro que tudo isso sobrevirá a esta geração”, e “a casa de vocês ficará deserta” (Mateus 23:36,38, NVI). Se “esta geração” é a dos ouvintes de Jesus, o cumprimento aponta para algo próximo, e o fato histórico é a queda de Jerusalém e do Templo no ano 70.
Quando a pergunta final dos discípulos aparece na NVI como “fim dos tempos” (Mateus 24:3), o grego traz a ideia de consumação de uma era. A mudança de assunto vem depois: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe” (Mateus 24:36, NVI). Dali em diante, Jesus fala de algo sem sinais prévios, a Segunda Vinda.
“Eu lhes asseguro que não passará esta geração até que todas estas coisas aconteçam.”Mateus 24:34 (NVI)
O que o Apocalipse diz sobre si mesmo
O livro abre com uma indicação de tempo que também pesa na escolha:
E repete: “porque o tempo está próximo” (Apocalipse 1:3, NVI). O livro foi escrito a igrejas reais da Ásia Menor, que precisavam entender o que viviam, e não a pessoas de milhares de anos depois.
“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que em breve há de acontecer.”Apocalipse 1:1 (NVI)
Uma esperança que constrói
O preterismo parcial não nega o futuro. Ele afirma uma esperança: o Reino já foi inaugurado e cresce, como o grão de mostarda (Mateus 13:31-32), até alcançar a plenitude na volta de Cristo. Isso devolve à Igreja a missão de ser sal e luz, em vez de esperar a fuga do mundo.
Você não precisa aceitar a visão só porque ela é a minha. Compare cada uma com o prazo que Jesus deu em Mateus 24:34 e com a abertura do Apocalipse, e veja qual respeita o texto.
Importante: Este é um estudo bíblico e histórico; as visões escatológicas são interpretações, e cristãos sinceros divergem entre elas.